O estresse do tutor passa para o cão? O que a ciência mostra

Mulher e cão olhando pela janela juntos
Foto: Vitaly Gariev, Unsplash

Você já teve um dia difícil e percebeu o seu cão mais agitado? Alguns estudos investigaram essa possível relação. Em certos grupos de cães, o estresse do tutor e o do cão estavam associados. Em outros contextos, essa ligação não foi encontrada. E nenhum desses resultados significa que a culpa seja sua.

Mulher e cão descansando na sala
Foto: Erin Vey, Unsplash

O que os pesquisadores mediram

Uma equipe sueca mediu o cortisol, um hormônio relacionado ao estresse, nos pelos de 58 duplas de tutores e cães. Como o cortisol pode ficar registrado no pelo ao longo do tempo, essa medida permite investigar padrões de estresse de longo prazo, em vez de captar apenas o que aconteceu em um dia específico. Os cães eram das raças border collie e pastor-de-shetland (Sundman e colegas, 2019).

Os pesquisadores encontraram uma associação entre os níveis de cortisol dos tutores e os dos cães, tanto no verão como no inverno. A atividade física dos cães e o número de treinos por semana não explicaram essa associação. Os autores sugerem que, nessas raças, os níveis de estresse de longo prazo dos cães podem estar relacionados com os dos seus tutores.

Os limites do estudo

O resultado mostra uma correlação: os níveis de cortisol estavam associados, mas isso não prova que o estresse do tutor cause estresse no cão, nem o contrário. Outros fatores podem contribuir para essa relação.

Dois outros trabalhos ajudam a interpretar esses resultados com cautela.

Em um estudo com cães de raças consideradas mais antigas e de raças selecionadas para a caça solitária, os pesquisadores não encontraram a mesma associação entre o cortisol do tutor e o do cão. Os resultados sugerem que a relação pode variar conforme as características dos cães e a ligação que mantêm com os seus tutores (Van Poucke e colegas, 2021).

Em outro estudo, realizado durante passeios com 68 duplas de tutores e cães, foi possível detectar sinais de estresse nos tutores, mas não foram observadas alterações significativas no cortisol nem na frequência cardíaca dos cães naquele contexto (Harvie e colegas, 2021).

Em conjunto, esses resultados mostram que a relação entre o estresse do tutor e o do cão não é igual em todas as situações. A associação foi observada em alguns grupos, sobretudo quando se analisou o estresse de longo prazo, mas não apareceu em todos os cenários estudados.

O que isso significa para a sua rotina

O estresse faz parte da vida, e os estudos não dizem que você é responsável pelo estresse do seu cão. Eles mostram que pode existir uma relação entre os dois, mas ainda há muito a compreender sobre os fatores envolvidos.

Se o seu cão parece mais agitado, observe também o que acontece à sua volta: a rotina da casa, os passeios, os momentos de descanso e as mudanças recentes no ambiente. O comportamento não deve ser interpretado isoladamente.

Se notar uma mudança persistente ou repentina no comportamento do seu cão, converse com o seu veterinário de confiança. O estresse é uma das possíveis explicações, mas não é a única.

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Fontes: Sundman et al., 2019, Scientific Reports. Van Poucke et al., 2021, Scientific Reports. Harvie et al., 2021, Animal Cognition.

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